sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

[a minha opiniao conta] Mais uma vez não dar, ensinar parece ser o caminho certo

(imagem do site do jornal Publico)

Quando ouvi Pedro Mota Soares na apresentação do Orçamento do Estado para o ano de 2015 pensei que não era verdade o que estava a ouvir. O Ministro afirmou que havia familias a receberem 950 euros do Estado. É verdade, dito desta forma 'nua e crua', eu até concordo inteiramente, mas parece-me que é demais e não totalmente verdadeiro. 

De certo que existem algumas familias a receberem muito do Estado (se é que podemos encontrar neste campo uma definição de muito !!!!), mas é preciso analisar estes casos e perceber porque recebem este valor - quantos são nestes agregados ?? porque recebem tanto ?? existem crianças, ou são só adultos ?? pelos exemplos que vi na imprensa, o valor calculado por elemento da familia é cada vez mais baixo, quantos mais são. 
Temos de aguardar pela proposta concreta, para tentar perceber como vai ser calculado este teto máximo para os apoios sociais, não vai ser fácil, afinal de contas temos alguns valores dificeis de calcular como as reduções ou isenções, as cantinas sociais ou os apoios locais camarários.
Neste momento, parece-me mesmo que esta proposta (se é que assim a podemos chamar !!!) será mesmo viável, é confusa e mal preparada. Aguardo por algo melhor preparado e com substância, por exemplo será que Pedro Mota Soares sabe ao certo quantas familias estão nesta situação ? e qual a sua composição ? 

Penso que todos nós sabemos, e temos conhecimento de muitas familias, muitos agregados que vivem no que se chama 'à pala do Estado e dos apoios sociais'. No seguimento do que já escrevi num artigo opinião, escrito por mim no passado dia 17 de Dezembro, para o site do jornal Diário Online, parece que antes de aplicarmos uma medida destas temos de estar preparados para dar meios e condições para estas familias, muitas desfuncionais e com graves problemas de sobrevivência e de subsistência. Podia muito bem passar pela criação de uma rede de apoio familiar, mas que de facto funcione, que de facto fizesse o encaminhamento para um trabalho, que ensinasse como fazer, que fizesse o trabalho que só um educador social pode fazer. Para mim, mais importante que cortar quase ás cegas, era educar, dar meios e permitir que com o tempo adequado, essa redução pudesse existir. 

Não esquecer, acabar com a sociedade da 'mão estendida', ensinar e não simplesmente dar.
Mais uma vez não dar, ensinar parece ser o caminho certo.

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