quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

[artigo de opinião] A Cidadania é de todos e para todos!

Caros amigos e amigas,

Quero deixar-vos um artigo da minha opinião, da minha autoria que foi publicado hoje no Jornal Barlavento, com o título "A Cidadania é de todos e para todos!".

Pode ser lido na integra, no site do Barlavento.




A Cidadania é de todos, e para todos!

As pessoas mudam, os seus corpos mudam, as suas formas de ser e de estar mudam. Sabemos que não fomos sempre aquilo que somos hoje e devemos por isso reconhecer que a mudança faz parte de nós próprios.

Compreender esse processo de mudança é a capacidade que o ser humano tem de adaptar, de aceitar a mudança como algo positivo, como algo impulsionador da vida. A simples mudança, por vezes é entendida como a recuperação de práticas do passado. E por isso mesmo, queremos mais, queremos a rutura com situações e práticas anteriores, queremos uma verdadeira mudança para a nossa sociedade. Queremos que todos possam intervir na sociedade sem medos, sem receios, sem medo de mudar um paradigma que já se percebeu não funcionar.

Só com esta mudança será possível entendermos o significado de um verdadeiro exercício da Cidadania.

Cidadania essa que se pretende participativa, ativa, consequente, interventiva, negligente – tenho ouvido os mais diversos palavrões. O exercício da cidadania implica, por parte de cada indivíduo e daqueles com quem interage, uma tomada de consciência cuja evolução acompanha as dinâmicas de intervenção e transformação social.

É preciso que os portugueses percebam que, só sendo mais ativos e participativos, estando presentes na vida da sua comunidade, intervindo na escola dos vossos filhos, nas associações de Pais e Encarregados de Educação, nos clubes e associações locais, na área social dando minutos da vossa vida a quem mais precisa, na vida da sua cidade ou região é possível fazer mais e melhor para Portugal. Envolvermos na vida da sociedade em que estamos inseridos é só mais um exemplo do que de melhor fazemos e podemos fazer.

O passado fim-de-semana foi um bom exemplo de um ato de cidadania. Foram milhares, embora nunca os suficientes, os portugueses que deram minutos, horas, ou mesmo os dois dias ao voluntariado, em mais uma campanha de angariação de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome. Foram dois dias intensos, posso dizer cansativos, mas que me enchem a alma e isso ninguém me tira. Agradeço em meu nome a todos os que prescindiram do seu tempo com as famílias para ajudar quem precisa, quem neste momento necessita de uma ajuda.

Quantos de nós já não foram a uma reunião da associação de pais da escola dos seus filhos e estavam presentes 4,5,6 pais! Ainda recentemente isso aconteceu numa escola de Portimão, numa secundária com mais de um milhar de alunos, em que na assembleia geral da associação de pais e encarregados de educação estavam presentes meia dúzia de pais. É verdade, e até pode parecer mentira, mas compareceram a uma convocatória feita com a devida antecedência, menos de 1% dos pais. O que significará tamanho desprendimento e desinteresse pela vida da comunidade escolar dos filhos? Será este o exemplo que queremos, e damos aos nossos filhos e filhas?

A educação para a cidadania nas escolas constitui atualmente um enorme desafio e um compromisso dos responsáveis pela formação do público escolar. Este parece ser um assunto de fácil trato, e em que existe consenso na nossa sociedade, mas isso não corresponde à realidade. O facto de existirem horas escolares para o tratamento desta temática, isso nem sempre será feito da forma mais adequada, o que pode mesmo ter um efeito contrário ao pretendido. Urge rever e reorganizar os currículos e tempos escolares, de forma que se possa tratar da educação para a cidadania como um tópico importante e não prescindível. Mas, este é um assunto com muito mais a dizer, por isso vou deixar para outro artigo, num próximo dia.

Sem dúvidas, nem receios, digam presente!

A Cidadania é de todos, e para todos!

João Bárbara

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