A Democracia tem destas coisas estúpidas

(ilustração de Rui Borges, disponível no site esquerda.net)

O COVID-19 obriga-nos a ter um 25 de abril diferente, um dia da Liberdade, diferente .... pelo menos para alguns.

Apetece-me mesmo dizer que a Democracia tem destas coisas estúpidas!

Quem diria que 2020 era o ano em que havíamos de ver o nosso dia ser passado da forma que vai ser passado, em casa. A nossa liberdade está amordaçada, precisamente no dia Liberdade. 

O Mundo está a mudar, e é preciso saber adaptar-nos a estas mudanças, mas isso não está nada fácil para alguns .... precisamente os alguns que viveram o 25 de Abril intensamente, e que por isso mesmo deviam ter o bom-senso de perceber que a liberdade deles acaba, quando começa a nossa. 

Pensem comigo, para aqueles que se ofendem com a minha posição de não aceitar a comemoração, a homenagem, a festa, chamem-lhe o que quiserem isso não é o mais importante, os nossos direitos são precisamente os mesmos, e os deveres também o deveriam ser. Todos temos o especial de ver do confinamento, dever esse que é um dever legal, dever legal instituído por algumas dessas mesmas pessoas. Dever legal, de proteção da saúde, da própria e em especial da dos outros, sim, porque quando estamos num espaço fechado com 100 pessoas, será de esperar que essas mesmas pessoas estejam a seguir com pelo menos 4 a 5 outras pessoas, o que já faz 400 a 500 pessoas, que por sua vez vão estar com outras 4 a 5, e por aí fora. Ainda temos todos o dever de não sobrecarregar o SNS com a nossa teimosia, e com uma visão da liberdade, onde os direitos parecem se sobrepor aos deveres. Aqui, o camarada Fernando Rosas, esteve muito mal, mas fica a minha opinião, e a opinião dos outros!

E quando pensamos que não pode ser pior, eis com o senhor presidente AR resolve dar mais uma facada nas costas de portugueses, do 25 de abril e da liberdade. Parece que Ferro Rodrigues, em entrevista à TSF, afirmou que não será obrigatório usar máscara durante as celebrações dos 46 anos do 25 de abril, na Assembleia da República. Mas, não pensem que se ficou por aqui, a cereja no topo do bolo veio a seguir: "Porque é que havia de ser neste plenário. Se não foi nos plenários anteriores! Então nós íamos mascarados para o 25 de Abril?".

Eu até agora, até respeitava a figura deste senhor, não a pessoa em si, mas a figura de Estado, no entanto, foi-se e ficou uma coisa de nada. 

Em primeiro lugar, no dia 13 de abril, a DGS, emitiu uma informação acerca do uso de máscara na comunidade, e em particular em espaços fechados. Resumidamente diz que "De acordo com o principio da precaução em saúde pública, e face à ausência de efeitos adversos associados ao uso de máscara, deve ser considerada a utilização de máscaras por qualquer pessoa em espaços interiores fechados com múltiplas pessoas (farmácias, transportes públicos, estabelecimentos comerciais e outros de atendimento ao público). Ora bem, estima-se qualquer coisa como 100 pessoas num espaço fechado que é a Assembleia da República .... e ainda por cima com uma média de idade elevada.

Fica à Vossa consideração o que pensar !

Quando ao baile de "mascarinhas" que este senhor achava que se podia tornar a Assembleia da República, só me apraz dizer que a homenagem ao 25 de abril, à Liberdade e a todos os que morreram para Todos, mas Todos podermos ter a dita Liberdade, merecia, merece muito mais respeito. E, até Vos digo mais, nem que fosse respeito por todos os profissionais de saúde (e não só) que, após retirarem a dita máscara, ainda ficam com as marcas, e parecem mascarados depois de tirarem a máscara. Respeito SFF.

Da minha, Da nossa parte, aqui em casa, faremos a nossa parte, Soltaremos a Grândola que Há em Nós, mas em casa, na varanda, até à porta de casa, mas nunca num espaço fechado com 100 pessoas. Desculpem-me, mas isso não consigo aceitar, nem perceber.

Viva o 25 de Abril, Viva a Liberdade!
Fascismo nunca mais, Juntos seremos mais Fortes!

@joaobarbara

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