A linha que separa a Ética e a Discriminação no processo de vacinação

 


O que tem acontecido nos hospitais, nalgumas instituições do setor privado e social, nas autarquias é inaceitável e roça mesmo o escandaloso. 

Temos assistido a vacinação indevida, e ainda por apurar as responsabilidades. Uns assobiam para o lado, dizendo que os chamaram, outros dizem que sobrou e então acharam por bem vacinar-se a si próprios e a outros próximos, e ainda os que se refugiam em estratégias de voluntariado, no mínimo inaceitáveis moralmente.

O processo de vacinação deveria ser um momento de esperança, que seria gerido pelas autoridades portugueses como aquele exemplo de civismo, justiça e equidade entre todos. Era o que precisávamos em Portugal, mas não se está a concretizar.

A euforia inicial da vacinação, foi rapidamente substituída por um manto de desconfiança e estupefação, perante a aplicação dos critérios definidos para a vacinação e a definição dos novos grupos a vacinar.

A proteção das pessoas mais expostas e das mais vulneráveis, assim como de todos os restantes portugueses permitiria atingir o patamar da imunidade de grupo e acabar com a pandemia a nível nacional, e mundial.

Ainda esta semana se verifica que ao Algarve muito poucas vacinas chegaram, os profissionais da saúde dos hospitais privados, também não foram ainda vacinados.

Ainda por esclarecer porque essa não é a realidade, parece que agora nem todos vão ter acesso à vacinação, ficando no ar que apenas uns vão ter acesso às doses de vacinas, relegando as restantes populações para um segundo plano na luta contra este flagelo planetário.

Agora surge a figura do passaporte, ou certificado de vacinação. Na minha opinião, este é brutalmente discriminatório e abre precedentes muito graves. Parece que muitos países estão a receber turistas com a segunda dose de vacina, bastando para isso apresentar o dito documento. 

Numa altura em que todos ansiamos por poder viajar e ir de férias, eis que surge uma tendência no universo das viagens. Recentemente até houve uma empresa que quer mesmo tornar a vacinação obrigatória para aceder aos seus serviços – caso da Saga, uma empresa britânica de cruzeiros, onde só deverão entrar a bordo passageiros que tenham recebido a segunda dose da vacina há pelo menos 14 dias. 

Quando a vacinação não está acessível a todos, como é que se garante o respeito pelos direitos daqueles que não tiveram acesso à vacina e que alternativas se oferecem a quem, por razões legítimas, não a recebeu?

@joaobarbara

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