O meu contributo para a Conferência Autárquica Online do Bloco de Esquerda

 


A pandemia COVID-19, o desporto e o seu papel esquecido na sociedade

A pandemia da COVID-19 tem tido ao nível do mundo do desporto um impacto negativo altamente significativo, tanto a nível desportivo propriamente dito, como económico e social.

Em todo o Mundo, as competições desportivas têm sido suspensas ou canceladas, incluindo os maiores eventos desportivos agendados para 2020 e mesmo 2021.

É sabido, que estas medidas de suspensão da atividade desportiva, incluindo a formação, têm carácter preventivo, procurando com a minimização do contacto entre atletas, equipas técnicas, adeptos e respeitando a quarentena, minimizar a disseminação da COVID-19 no âmbito desportivo, quer nos treinos, quer nas competições.

Em Portugal, à semelhança da realidade mundial, a atual pandemia deixou o desporto de quarentena. As diferentes federações anunciaram a suspensão das respetivas competições, tendo um impacto maior nas modalidades coletivas.

Tal como referido do ponto de vista da sociedade em geral, também os atletas e os clubes desportivos estão a sofrer o impacto financeiro da interrupção da atividade desportiva, o que em alguns casos poderá colocar em causa a viabilidade económica de algumas associações e clubes. Brevemente, poderemos também verificar o nível desportivo, físico e mental dos atletas portugueses.

Mas, não é só uma questão económica que pode estar em causa, também a saúde pública, incidindo de forma particularmente nefasta nas camadas jovens da população portuguesa.

Os efeitos da suspensão de atividade desportiva no bem-estar físico e mental dos jovens, vai ter um impacto significativo no futuro.

A pandemia, e a obrigatoriedade do isolamento social, pode levar a ocorrência de problemas de mobilidade, assim como no foro da saúde mental. O estar isolado em casa torna-se desagradável e um eventualmente problemático, a privação da liberdade, do contacto direto com os amigos e familiares, levanta problemas no tema das relações sociais. Torna-se assim, cada vez mais difícil de contrariar o desenvolvimento de sentimentos de tristeza, revolta, ansiedade ou mesmo frustração, que poderão ser crescentes com o evoluir do tempo.

É sabido que o desporto provoca bem-estar físico e mental, combate a sedentariedade, a obesidade, e suas doenças conexas, assim como ajuda a lidar com problemas de ansiedade e sintomas depressivos.

É aconselhável por todos os setores, por diretrizes internacionais, mas em Portugal o desporto tem sido considerado uma atividade paranormal, e assume-se mesmo que a sua retoma parece poder esperar uma eternidade.

Exemplo disso, são os vários planos desenvolvidos de apoio à pandemia, que revelam um total desprezo pelo desporto e pela atividade física.

O próprio Plano de Recuperação e Resiliência colocado recentemente à discussão pública, e que pretende ser um instrumento enquadrador da política pública para os próximos anos, revela que o desporto em Portugal, não é considerado estratégico, nem faz parte do plano de recuperação do Governo português.

Esta postura do Governo português vai contra o valor que o desporto tem na sociedade e na sua promoção da saúde e na prevenção da doença.

Exige-se medidas:

  • Inclusão do desporto como pilar da sociedade, por ser uma atividade essencial para a saúde física e mental
  • Dinamização do Desporto Escolar, como veículo de combate ao sedentarismo a promotor da saúde pública
  • Criação de espaços informais, ao ar livre, para a prática de exercício físico
  • Criação e Apoio de Programas Comunitários de Bairro, para o desenvolvimento da atividade física e do desporto, em especial junto dos mais desfavorecidos
  • Criação do Gabinete do Desporto, para apoio local e direto aos Clubes, Associação e Atletas, no período pós-pandemia
  • Desenvolvimento de Programas de apoio social, que permitam a mais jovens a prática do desporto
  • Desenvolvimento de Programas de apoio ao Alto Rendimento, e seus intervenientes

É tempo de dizer: Nada nem Ninguém fica para trás nesta pandemia

 

João Bárbara

Aderente da Coordenadora de Portimão/Faro


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