[Educação] pessoal docente: formação, motivação e cada vez são menos

 



Caros amigos,

Sem protagonismos, nem hierarquias de importância.

Deixo-vos hoje com a minha reflexão pessoal e política sobre um dos maiores problemas da educação em Portugal - precisamente uma das bases da comunidade escolar, o pessoal docente.

Todos os educadores sabem que o pessoal docente [professores], estão numa escalada de envelhecimento. Como se isso fosse anormal! O que é mesmo anormal é a falta de respostas por parte do Governo.

A falta de uma visão progressiva por parte dos sucessivos Governos, em que apenas se tem em conta as questões monetárias economicistas, tende a agravar a real falta de professores no sistema educativo português.

Porque será que cada vez menos jovens querem optar pela carreira docente? não é atrativo, sofrem ataques frequentes, ouvem promessas atrás de promessas e para mim o pior ainda, não são chamados nem ouvidos!!!

Se pensarmos nos dados oficiais, em que 40% dos docentes vão [nos próximos anos] entrar na idade de reforma, questiona-se como vai ser o ensino. Quem vai ensinar aos nossos jovens? porventura, vamos assistir ao mesmo de à uns bons anos atrás, em que tudo e quase todos podem dar aulas.

O gráfico que ilustra esta reflexão é clara e preocupante.

Em Portugal, é evidente o acentuado envelhecimento dos professores do 3.º ciclo, principalmente a partir de 2010. Em 2000, por cada 100 professores com menos de 35 anos existiam 35 com mais de 50 anos, ou seja, a maioria era jovem. Já em 2015, por cada 100 professores com menos de 35 anos havia 635 com mais de 50 anos, uma grande maioria. E a tendência continua a agravar-se.

Este será mesmo um dos maiores obstáculos à Educação, e foi bem referido por Alexandra Vieira (esquerda.net, 2021) "... uma classe docente envelhecida e assoberbada, um séquito de professore precários ...".

A mesma autora também referiu a questão sindical como um dos problemas. Embora considere que esta questão é transversal em todo o Portugal, os patrões, os chefes, fazem de tudo para impedir o crescimento do movimento sindical. Aliás, fazem-nos precisamente em sentido contrário, forçam o enfraquecimento.

Agora a questão da formação [ou da falta de] dos professores. 

Quando falo de falta de formação, não o digo que deva ser como agora, em que é preciso créditos e mais créditos para poder continuar a ensinar. É preciso atualizações sobre muita coisa, mas não sem critérios bem definidos e não apenas créditos, só porque sim. 

A pandemia mostrou que na Educação e nos seus atores, sendo os professores dos principais, era preciso terem tido formação na parte tecnológica. As fragilidades que ficaram bem demonstradas, são impossíveis de esconder e de negar. 

Aqui não foram só os professores a demonstrar fragilidades, toda a comunidade escolar fez parte das mesmas. Também aqui a falta de recursos tecnológicos, a indisponibilidade do Estado em facultar esses mesmos recursos demonstrou bem que ainda temos muito que fazer neste campo. 

Ainda hoje se discute a possibilidade das empresas [ou do próprio Estado] pagar parte das despesas com o teletrabalho [ou telescola]. Típico de Portugal, a pandemia vai passar e o assunto é enterrado. Os custos ficaram e foram suportados por todos nós. 

Muito mais há, e haveria a dizer. 

Para outro dia, cidadania e gestão democrática da escola.

@joaobarbara

Comentários