A Europa e o fantasma dos "muros" em semana de memória do muro de Berlim


(imagem de Irek Dorozanski / Reuters)

Quando achamos que a Europa não pode piorar, eis que surgem uns e outros a querer erguer muros. 

32 anos depois da queda do muro de Berlim, voltamos a ter o "fantasma" na Europa. Devíamos a estar a relembrar, não a celebrar, para que todos nós (jovens e menos jovens) nos recordemos do que foi e não pode voltar a acontecer.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirma que "Com base num parecer do Serviço Jurídico do Conselho [Europeu], é legalmente possível". 

O pior nem sequer é "ser possível", mas sim haver a possibilidade da construção destes muros ser feito com fundos europeus. Num momento em que existe fome e miséria, falências e necessidade de apoiar as famílias e empresas, não se entende nem pode ser possível o financiamento da construção de muros nas fronteiras externas do bloco comunitário.

Charles Michel deve ser questionado [sei que os nossos deputados europeus o farão] e avaliadas as suas justificações/respostas. Não podemos ter num cargo tão importante para a sociedade europeia, alguém que coloca esta possibilidade e muito menos ser ele próprio a reabrir o debate sobre este assunto. 

Eu NÃO quero, e sei que Tu também NÃO queres. 

É verdade que a situação das fronteiras da Polónia, Lituânia ou Bielorrússia é de extrema complexidade e muito difícil, em particular para os migrantes que morrem ao frio e á fome. Embora ainda esta semana tenha sido aprovado uma verba de 2,8 mil milhões de euros para a gestão de fronteiras para o período 2021-2027, entre os quais 2,7 mil milhões para ajuda de emergência e outro tanto para a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas (Frontex), é preocupante que Bruxelas coloque sequer em questão a possibilidade de financiar esta tipo de infraestruturas.

O governo polaco anunciou que vai começar a construção um muro na fronteira com a Bielorrússia brevemente. Projeto vai custar mais de 350 milhões de euros. Mesmo que o façam, Mesmo que não o façam com fundos europeus, as instâncias europeias têm de ter uma palavra a dizer sobre este assunto.

Não estranho que Manfred Weber, presidente do Partido Popular Europeu, venha dizer que Não é isso que queremos ver, mas é uma realidade hoje em dia, não sejamos ingénuos. É por isso que nós, enquanto PPE, pedimos também que numa situação extraordinária os fundos da UE estejam disponíveis para financiar este tipo de atividades”. Mas sim, preocupa-me muito esta Europa em que estamos neste momento.

É andar várias décadas para trás na evolução civilizacional que se pretende para a Europa. Que meditemos todos sobre esta matéria e pensemos bem antes de votar nas próximas eleições europeias. Que Europa e Que representantes europeus queremos?

@joaobarbara

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