Morte medicamente assistida, foi possível garantir tolerância com rigor, que não obrigue ninguém a ir contra a sua vontade

 


Amanhã será votado de novo o tema da eutanásia, a lei que despenaliza a morte medicamente assistida. 
Esta lei já tinha sido votada à uns meses atrás, tendo sido devolvida ao Parlamento por Marcelo Rebelo Sousa. O veto presidencial dizia respeito a uma questão levantada pelo Tribunal Constitucional.

A lei já foi aprovada no Parlamento por larga maioria, e não existe motivo para não o ser agora. 

O que está aqui em causa é uma matéria ética de muito cariz pessoal de cada um de nós, de cada português e é assim que deve ser mantida. 

O direito á vida, e sobretudo o direito á vida com qualidade e sem sofrimento é de cariz pessoal. É verdade que as razões e circunstâncias em que será possível recorrer á eutanásia deve ser muito claro e sem tabus.

Se é verdade que o Estado deve garantir condições médicas para garantir um fim de vida com a maior qualidade e dignidade possível, também o é que isso não é assegurado a todos da mesma forma. É preciso trabalhar nisso, mas também garantir a liberdade pessoal de cada cidadão.

Os deputados que estiveram disponíveis para participar nesta lei foram capazes de "fazer um trabalho aturado de aperfeiçoamento da sua redação para ir ao encontro das preocupações dos juízes", afirmou José Manuel Pureza do Bloco de Esquerda. 

Na minha opinião, este trabalho legislativo abre caminho ao respeito pela dignidade e liberdade de cada cidadão pela qualidade do final da sua vida.

Para o Bloco, “a adoção de uma lei que combine prudência com determinação, tolerância com rigor, que não obrigue ninguém a ir contra a sua vontade e que permita não forçar ninguém a ter uma morte que violente grosseiramente as exigências de dignidade que esse alguém se impôs ao longo de toda a vida é um passo que devemos dar”.

Aguardemos pela votação de amanhã, para perceber quem está em que lado da balança da liberdade e dignidade humana.

@joaobarbara

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