Saudemos o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres


O 25 de novembro foi instituído pelas Nações Unidas como o dia Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres. Portugal, tal como noutros países, tem sido assinalado este dia como um dia de alerta e de luta pelos direitos das mulheres.

Não esquecemos nunca o sofrimento destas mulheres.

Portugal não tem sido um bom exemplo. Ano após ano, os números envergonham Portugal. De acordo com o recente Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), apesar de ter diminuído face ao ano anterior, em 2020 a violência doméstica contra cônjuge ou situação análoga continuou a ser o crime mais participado em Portugal, representando 85% das mais de 27 mil queixas por violência doméstica. Sendo que do total de vítimas de violência doméstica, a maioria são mulheres e raparigas (75%), enquanto que a maioria dos denunciados são homens (81,4%).

No silêncio, na vergonha ficam inúmeros casos, situação que piorou com a chegada da pandemia. A pandemia colocou muitas mulheres confinadas com os seus agressores. situação que podes podem imaginar ser de alto risco para a mulher.

Ainda este ano, o estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (VD@COVID19) indica que 15% dos participantes reportaram que houve violência doméstica em sua casa e 34% das pessoas inquiridas que foram vítimas de violência doméstica declaram tratar-se de uma primeira agressão.

Acresce que as mulheres mais pobres, as mulheres lésbicas, bissexuais e trans, as pessoas não-binárias, as pessoas racializadas e as pessoas com deficiência são alvo de múltiplas violências. Sendo de referir a situação particularmente preocupante das mulheres trans [vidé projeto Trans Murder Monitoring].

Em Portugal, o Observatório de Mulheres Assassinadas (UMAR) registou em 2020: 35 mulheres assassinadas, tendo sido 19 vítimas de femicídio em contexto de relações de intimidade e 16 mulheres assassinadas noutros contextos.

Saudemos sempre este dia e recordemos todas as mulheres vítimas de violência doméstica.

@joaobarbara

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